Segue abaixo um relatório que fiz sobre a peça "Circo pornográfico - em assim que nasceu o amor" que eu vi no último domingo na
Casa de Cultura Elbe de Holanda, localizada na Ilha do Governador. O mesmo relatório foi requisitado pela professora de Universo das Artes Cênicas no meu curso de
Produção Executiva Teatral:
“Circo Pornográfico – em assim nasceu o amor”Analisando contrapontos podemos dizer que o circo nunca foi um lugar para ser levado a sério. Por mais que os profissionais que ali sempre trabalharam fossem sóbrios em seus pápeis de fazer graça, ele sempre foi um espetáculo inverossímel. Por outro lado, o sexo sempre foi encarado com demasiada seriedade. É claro, que essa é uma afirmação conflitante, já que diversas pessoas o encaram como um simples fator de entretenimento e satisfação pessoal. Mas de qualquer, forma a palavra sexo sempre conota seriedade, pois transpassa diversas idéias: Obrigação, família, filhos, doenças contagiosas, gravidez, amor, prazer.
Na peça “Circo pornográfico – em assim nasceu o amor” exibida na Casa de Cultura Elbe de Holanda, todos estes pontos estão entrelaçados de forma descomunal. Isso porque, a seriedade e alegria trocaram as bolas.
Os atores, sobre um palco Italiano, demonstraram um espetáculo que mostra um circo apresentando a história de quando Deus criou o homem. Através de um cenário fixo são apresentadas todas as fases do descobrimento até o ponto de ebulição sexual do homem e da mulher. Ao contrário da peça “Os monólogos da Vagina” que se baseia em entrevistas reais realizadas com mais de 200 mulheres, “Circo pornográfico” beira o imaginário, querendo fluir para o campo crítico filosófico dando uma nova leitura a estruturas já conhecidas.
Foram usadas apenas algumas variações de luz branca normal ao vermelho em três momentos – se não me engano -. Além do que os próprios atores desempenhavam a função de contre-regra, o que era perfeitamente aceitável num espetáculo de baixo custo de produção. Com relação à maquiagem e o tempo de troca do figurino (trabalho das camareiras), não há o que reclamar.
Como existem poucas tiradas cômicas, e a linguagem beira a coloquial com ensejos poéticos, fica clara a idéia de levar o espectador a pensar. A estrutura afirma o tempo todo isso, pois ela mesma é crítica as nossas interpretações (vide uma nova história da chapeuzinho vermelho). Entretano, por mais que os atores se esforcem, o texto não consegue levar o espectador ao pensamento, e isso é fatal onde o principal é trazer a idéia. É como olhar pra um palhaço novo que não faz rir, ou seja, por mais que pareça bacana é esquecível. Por isso o circo ainda é melhor trazendo alegria e o sexo propagando a seriedade.